segunda-feira, 7 de agosto de 2017

quando partiste, sequei.

hoje, as carcaças de meus versos ornam o solo árido e estéril do que um dia foi jardim...
                                                                                            fim. (chg

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

tenho a nítida impressão de que sou parte pútrida de um parto ...

um feto, inquieto nascituro, gestado no ventre de toda ignorância ...

por entre lábios-vulva-mundo,
                                                    tenho contemplado a vida em toda sua extensão cruel
...
tento interpretar todo esse desencantamento mórbido para além das teorias físicas, matemáticas, filosóficas, sociológicas, metafísicas...

...
interpretar não com os olhos de doutores e seus rechonchudos vãos currículos, mas com o olhar de um menino mal educado...

sei, serei parido e abandonado neste chão e-mundo, maternidade caótica de uma surreal dimensão...

colho os dessabores dessas incertezas várias que me atraem para o inevitável  desconhecido...

imerso em uma mar de imbecilidade, tomo consciência de mim, das finitudes do existir, e me arrebento na atmosfera carregada de insensibilidades ...

e assim...

morrendo, vou nascendo.

chg



não posso ficar a vida inteira pendurado em teu seio...

tenho pressa.

não mamo... e teu músculo rubro pulsante do peito está cheio de amores outros

um dia, meus dedos exaustos - por não mais suportarem a dor da desilusão - hão de ceder

... então, tombarei no solo do deserto que acreditei sonho...

| morro atropelado por essa idiota paixão |

chg

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

...
com um dedo de vinho - alimento de formigas ébrias -,
o cálice esquecido na mesa é testemunha de um equívoco, de um desencontro...

aquele cálice tem o que sonhei em meu lábios: as digitais do teu batom carmim.

(formigas se embriagam do vinho, do meu corpo inerte)

- um brinde.

chg

domingo, 15 de janeiro de 2017

deixou-me
repentinamente, partiu

e o chão se abriu
e despenquei no vazio infinito

agora, em queda livre, teço asas com os cacos do que fora sonho

incessantemente    .

chg
... cheio de si, não se coube... explodiu.

(ninguém catou os cacos de sua existência vil...)

chg
frações dolorosas de tempo...

: o tempo das marés.

enches, cresces e vens
                              e teu toque,
                              onda morna, chega e beija meu cais...

depois, te vais.

chg